Meus pais resolveram abrir a parte de cima do meu armário, onde eu guardo coisas velhas, não sei por quê e descobriram que tinha um pouco de mofo então colocaram tudo pra fora e mandaram eu jogar as coisas fora. Então está lá, no meio do meu quarto milhões de coisas antigas, agendas velhas, material escolar, brinquedos.
Hoje eu só tinha uma aula de cálculo então não fui, aí resolvi dar uma olhada nessas coisas. Os brinquedos eu vou doar, provavelmente, mas eu queria continuar com as agendas e alguns cadernos. Não que eu vá usá-los novamente, mas eu sou muito nostálgica e adoro olhar essas coisas porque tem recados de amigas minhas, de pessoas que faz bastante que não vejo. É meio triste né, amigas que não tenho mais. Mas as coisas mudam, é inevitável. Sou feliz pelas amizades que consegui manter e sei que muitas outras vão surgir.
Com o mofo veio essa certeza que coisas estão sempre em transformação. A pessoa com quem eu ri hoje pode me decepcionar amanhã. A pessoa que eu odeio hoje eu posso amar amanhã. Você pode escolher ser reacionário ou vanguardista, não importa, você não consegue controlar as mudanças à sua volta, nem pode forçar que elas aconteçam. A única coisa que você tem realmente poder é você mesmo.
O mofo que nasce só em coisas paradas me mostrou que as coisas nunca estão paradas, que nada é imutável; paradoxo.
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