domingo, 25 de outubro de 2009

Sim, eu escrevo poemas e morro de vergonha de mostrar eles mas me deu a loca agora e vou postar um e vou tentar não me arrepender!

Eternidade

Eu não existo.
Eu existo mas não aqui.
Não vivo na dimensão do tempo.

Vejo-os passando...
Navegando com a correnteza das horas.
Observo-os nascendo, indo para longe
Para longe de mim.
Tento embarcar porém falho
Afundo rapidamente e a volta é longa;
Meu corpo é fechado.

Vivo nessa margem
Se existe outra, não sei
A muito "tempo" estou aqui
E nem por isso sei
Estou trancado, enjaulado nesse mesmo estado
Imutável.

Não conheço a vida
Pois não está vivo quem não morre
Não conheço a amizade
Não conheço a saudade
Não conheço a dor, nem a paixão
Somente conheço a sufocante
Solidão.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Amizade

Loucos e Santos

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.


Oscar Wilde